IA e a Inovação Financeira

              Está dando o que falar o recente estudo do FMI sobre o impacto da Inteligência Artificial na economia global. Cerca de 40% dos empregos em escala mundial estão suscetíveis ao impacto da IA chegando a 60% nas economias avançadas e em menor proporção em mercados emergentes e países de baixa renda. No Brasil, estima-se algo em torno de 41%. Por um lado, a IA vai melhorar a produtividade. Por outro, aumentará as desigualdades sociais.

É por essas e por outras que Michael Carbin, professor do MIT, classifica IA como a transformação mais poderosa desde o computador de mesa. Ao contrário do que alguns pensam, a IA não impactará apenas as profissões com atividades repetitivas e de menor complexidade, mas também muitas das que atualmente são consideradas de alta qualificação e bem remuneradas. Como sempre, do ponto de vista tecnológico, os mais jovens saem na frente e o único caminho para quem quiser continuar de bem com a carreira é aprender a explorar as novas possibilidades. Entretanto, este texto não é sobre carreira, então vamos falar sobre como as empresas do setor financeiro estão usando e encarando de fato as transformações possíveis a partir desta tecnologia e o que esperar disso num futuro próximo.

Segundo o relatório MIT Technology Review Insights, produzido a partir de uma pesquisa com 600 executivos globais de tecnologia, em parceria com a databricks, apenas 8% das corporações do segmento financeiro usavam IA como uma engrenagem essencial ao negócio em 2022. Este número deve crescer para 43% em 2025, o que significa que as mudanças vão acelerar bastante daqui pra frente.

De todas as frentes possíveis de transformação, do ponto de vista do consumidor, destaco as principais evoluções que espero ver acontecer em breve, a saber:

CX e UX: A IA consegue aprender sobre preferências do usuário e comportamentos para ofertar serviços adicionais. É possível entender seu contexto e histórico de atendimentos para automatizar o Customer Service em nível muito além dos chatbots que estamos acostumados a ver. Lembretes para o pagamento de contas e sugestões de gestão de recursos serão apresentadas ao usuário, assim como opções de investimentos e auxílio na tomada de decisão. A integração entre aplicativos diversos será facilitada e a experiência e usabilidade ganham força.

Segurança: Com a tecnologia, é possível reforçar, em tempo real, o monitoramento e a detecção de padrões de fraude, sejam elas cadastrais ou transacionais. Melhoria na validação de dados biométricos (voz, vídeo, impressão digital), prevenção contra ataques cibernéticos, tentativas de phising e engenharia social são outros benefícios. Vida dura para os fraudadores já que até mesmo eles vão precisar se qualificar.

Aprovação de Crédito: Muitas empresas do setor ainda baseiam suas decisões em histórico de crédito e scores de mercado. Tais modelos tem limitações e não raro ficam distantes da realidade por ignorar outras variáveis que seriam bastante úteis. O resultado é uma avaliação de crédito equivocada ou, no mínimo, limitada. Uma aprovação de crédito baseada em IA, estimula as instituições de crédito a construírem estratégias alternativas de avaliação, ampliando a visão de comportamento e padrões para melhor avaliar o crédito.

Com a evolução do que já existe e do que ainda está por vir, todos nós aprenderemos a lidar com nossas finanças de uma forma diferente. Se o trio Open FinanceDREX e PIX irá permitir a criação de novos produtos e modelos de negócios, a IA vai potencializar tudo isso, melhorando a experiência para o consumidor, otimizando o tempo das pessoas e trazendo mais eficiência e empresas, tudo com mais segurança. A IA não é o tipo de inovação que se pode esperar pra ver no que vai dar. A IA precisa ser estudada, aprendida e implantada agora.

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