Fintechs: um rito de passagem rumo a uma estratégia para o ecossistema

O mercado de Fintechs no Brasil evolui pelo menos desde os anos 2000, contando em 2023 com aproximadamente 1480 empresas que oferecem serviços financeiros em todos os segmentos do mercado: Crédito, “Backoffice”, Meios de Pagamento, Tecnologia, Serviços Digitais, Investimentos, Criptomoedas, Finanças Pessoais, “Crowdfunding”, Risco e “Compliance”, Negociação de Dívidas, Fidelização, Cartões e Câmbio, segundo o estudo Distrito Fintech Report 2023.

Essa evolução, é resultado principalmente do desenvolvimento tecnológico e da facilidade de acesso a esse conhecimento por parte dos empreendedores, da existência de um mercado consumidor de serviços financeiros pouco atendido pelas grandes empresas do mercado, da qualidade precária do nível de atendimento do serviço oferecido pelas empresas tradicionais, da experiência dos potenciais clientes em serviços não financeiros digitais, do surgimento de uma massa crítica de empreendedores com experiência em serviços financeiros e de sua associação com empreendedores com perfil técnico que dominam as novas tecnologias digitais e, por fim, do surgimento de arranjos que permitiam investidores alocar seu capital de qualquer tamanho em empresas que julgassem promissoras, em qualquer ponto do seu ciclo de vida.

Com a evolução da transformação digital no setor de serviços financeiros, talvez a lacuna tecnológica entre incumbentes, novos entrantes e fintechs esteja se estreitando: os bancos comerciais buscam serviços mais digitais e ofertas mais relevantes para seus clientes (pessoas físicas e pessoas jurídicas), empresas de varejo e tecnologia oferecem serviços financeiros, e as fintechs, em um número crescente com propostas de valor semelhantes, vêem seus diferenciais competitivos se tornando menos relevantes. Além das estratégias competitivas (redução de preço, foco em nichos, ofertas complementares, etc), estratégias de cooperação, associação, M&A se tornam estratégias aplicadas em benefício dos dois lados. Isto pode tornar relativo o papel das fintechs como disruptores do mercado. O custo de participar de um
mercado regulado também tem efeito de redução do diferencial competitivo até então em favor das fintechs.

No Brasil, com juros historicamente elevados, disponibilidade de capital de risco mais escasso, e maior restrição ao crédito, entre outros desafios, parece mais difícil, em comparação com outros países de ponta, a instalação e crescimento das fintechs.

Desafios que simbolizam um rito de passagem rumo a um desejado papel mais relevante das fintechs no setor financeiro, assim de forma coletiva. Porém escolhas e ações de cada fintech em sua relação com todos os outros participantes do ecossistema empreendedor brasileiro – universidades, pólos de inovação, aceleradoras, associações, investidores, incumbentes, etc. – contam muito para o sucesso na “fase adulta”, assim de forma coletiva. Fintechs robustas e saudáveis trazem muita inovação, melhores possibilidades de serviços para os clientes, mais ofertas complementares para os incumbentes, melhor equilíbrio no mercado e boas alternativas de alocação de capital.

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