DREX – O Real digital

O que vem por aí!

A empolgação é grande com a chegada do Real Digital ou DREX, como foi carinhosamente batizado pelo Banco Central. DREX vem de Digital, Real, Eletrônico e o X representa transações.

De tudo que a novidade promete, a curiosidade maior fica por conta dos possíveis impactos positivos na inclusão financeira. Talvez nem tanto pela curiosidade, mas sim pela necessidade. Nosso país precisa. Muito. Ao garantir instantaneidade, facilidade e uma robusta capacidade de gerenciar pequenas transações de forma segura e barata, o sistema vai permitir o acesso de milhões de pessoas ao mundo das finanças digitais, sejam elas desbancarizadas ou sub-bancarizadas. Os dados gerados podem ser estudados para entender diferentes comportamentos e necessidades, facilitando a construção de histórico para acesso a ofertas de crédito e direcionando decisões e ações governamentais para a concessão de auxílios, sejam temporários ou permanentes, de forma muito mais assertiva.

No mundo, todo os bancos centrais estão experimentando iniciativas com as CBDCs (Central Bank Digital Currencies) e imagina-se que a adoção deste tipo moeda facilite o pagamento de contas, transferências bancárias, compra de bens, incentive inovações e que ainda proporcione mais inclusão financeira. Estes benefícios seriam possíveis porque as CBDCs permitem transações sem intermediários, com segurança jurídica, de forma privada e instantânea, através do uso da tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology).

Diferentemente das criptomoedas que são emitidas e operadas de forma descentralizada, as CBDCs são emitidas pelos bancos centrais, sendo o DREX a versão brazuca, tendo paridade 1 para 1 com o Real como o conhecemos. Não podemos confundir o DREX com o saldo que vemos nos apps das nossas contas digitais porque esta é apenas uma representação do dinheiro físico, mas cada um de nós poderá ter a uma carteira digital para usar o DREX à vontade. A internet contém um volume generoso de textos e vídeos sobre o assunto, o que facilita a compreensão destes conceitos por todos, embora muitos deles deixem em segundo plano os benefícios para focar em possíveis riscos inerentes e até mesmo misturando temas como quem mistura água e azeite em busca apenas de cliques.

Quando paro para pensar, fico realmente (com o perdão do trocadilho) entusiasmado sobre as possibilidades do que vem por aí. Acredito que as coisas mais legais que esta inovação possa trazer para as nossas vidas seja ainda mais novidade, segurança e praticidade para o nosso dia a dia, com a criação de novos produtos e serviços e o uso dos Contratos Inteligentes. Tais contratos tem cláusulas que são executadas automaticamente de forma predefinida tão logo as condições acordadas sejam cumpridas. Um exemplo bem simples, citado pelo próprio Banco Central em seu site, é quando uma pessoa decide comprar ou vender um carro, ou um imóvel talvez, e teme não receber o valor da transação ou a propriedade do bem.

Com um contrato inteligente, a transferência do dinheiro e da propriedade do bem acontecem ao mesmo tempo, sendo mais seguro e prático para todos. Se uma das partes falhar, a transação não se conclui e ninguém tem dor de cabeça nem fica no prejuízo. As pequenas e médias empresas terão mais previsibilidade nos fluxos de caixa e muitos produtos e serviços vão surgir para facilitar o acesso
ao crédito e facilitar negócios. O potencial disto é enorme, assim como os benefícios para a economia.

Como toda novidade, a curva de adoção vai ter seus desafios, como por exemplo a falta de infraestrutura em locais mais remotos e até mesmo nos grandes centros pela necessidade de smartphones e internet. De qualquer forma, o Banco Central pode criar mecanismos para facilitar a aceleração desta curva, integrando o DREX ao ecossistema atual de meios de pagamentos e até mesmo incentivando o uso através de ferramentas de recompensa e gamificação. Aliás, é preciso reconhecer que o Banco Central tem se esforçado para traduzir uma linguagem chata e complicada em algo simples e compreensível por todos, através de vários vídeos e textos. Há muito trabalho a ser feito e demora um pouquinho até chegarmos lá, mas certamente nosso segmento vai se organizar e mirar as oportunidades para vermos muita coisa bacana pela frente.

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