A jabuticaba, o crédito parcelado e o veneno

A jabuticaba e o crédito parcelado têm como origem o Brasil. Enquanto a jabuticaba se espalhou pelos trópicos, o crédito parcelado brasileiro continua único no planeta. Este tema levantado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tem provocado discussões acaloradas no mercado financeiro e as mais diversas reações dos bancos, consumidores e varejistas.

A gênese desta questão é a inadimplência e o endividamento das famílias, que ano após ano, vem crescendo em patamares assustadores. No centro deste crescimento está a taxa de juros, hoje a segunda mais alta do mundo, atrás apenas da Argentina. Para aqueles que caem no crédito rotativo, a taxa de juros pode alcançar até 400% ao ano; no parcelado, algo ao redor de 170% também ao ano. Em Julho de 2023, 66,1 milhões de brasileiros estavam inadimplentes.

A ideia básica seria que, a fatura do cartão de crédito não paga, iria direto para o parcelado e que a taxa de juros poderia ser algo ao redor de 9% ao mês – avaliam os técnicos do BC que esta medida reduziria a inadimplência. É importante ressaltar que ela é reflexo da situação econômica do país, da instabilidade social e do desemprego.

Os bancos não querem um teto para a taxa de juros, os varejistas reclamam que estas medidas vão reduzir o consumo – vale lembrar que o cartão de crédito representa hoje, 40% do consumo total no Brasil, com faturamento de R$2.1 trilhões (2022) e com um total de transações de 18.2 bilhões – os consumidores alegam que sem o rotativo ou o parcelamento sem juros, não irão às compras. Hoje, 50% das compras são feitas no crédito parcelado sem juros.

O “imbróglio” está criado! Seria também bastante saudável incluir nesta discussão o enxugamento da máquina administrativa e a redução dos gastos governamentais; a redução de juros passa também por estas medidas…

O presidente do Banco Central promete uma definição em 90 dias, sendo que o Ministério da Fazenda, a Febraban e as entidades ligadas ao comércio são contrários ao que está colocado na agenda do BC.

Modificar os usos e costumes do brasileiro, arraigados há décadas, é um problema complexo e requer bom senso das partes envolvidas. A propósito, a teoria da Jabuticaba – tão exaltada por Mário H. Simonsen, ex-ministro da Fazenda – significa aplicar uma solução simples, rápida e, quase sempre, errada. Serve para qualquer coisa. Explica qualquer coisa. Inclusive o nada.

Já dizia o médico e físico suíço-alemão, Paracelo no século XVI, que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose…

Vamos aguardar os desdobramentos!

Até a próxima!

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